Dizem que a palavra saudade só existe na língua portuguesa. Contam que ela se originou do latim, mas, foi usada mesmo no Brasil, durante a época do descobrimento. Reza a lenda que os portugueses se utilizavam desse termo para expressar a melancolia que sentiam por estarem longe das pessoas queridas.
De onde veio ao certo a origem do termo saudade eu não sei, o que tenho certeza é de que esta palavra é o reflexo do que eu venho sentindo esse tempo longe de você. Esse tempo em que tudo me parece estranho e sem sabor, tempo este em que eu só penso em ti e no quanto eu sou feliz ao teu lado.
Esses dias longe eu só tenho sentido saudades e não me encontro em nada. É como se eu tivesse deixado uma casa que é minha, trancada em algum lugar e tivesse saído sem rumo, vagando pra poder voltar, abrir a porta e dar de cara com você. Com o abraço pronto, a volta nos lábios. Aí a saudade seria minimizada.
Mas, a saudade aqui é só um começo, não é só isso sobre saudades que tenho a dizer.
Dizem que bater um dedo dói, quebrar um braço dói, cortar os pés com um sapato apertado dói. Um tapa dói, mas, o que dói mesmo é a tal da saudade.
Saudade de você que está longe e com a cabeça confusa.
Saudade do teu perfume tomando conta do meu olfato,
Saudade da tua voz,
Saudade de você me fazendo cafuné, passando a mão no meu rosto,
Saudade de quando eu ficava com medo e você pegava em minha mão,
Saudade de beijar você depois de uns dias sem te ver,
Doem essas saudades todas, mas, a que mais dói é a saudade do teu amor.
Saudade da tua pele, da tua presença e até da tua ausência.
Eu podia ficar por dias sem te ver, mas, saberia que te veria em breve.
Contudo, quando o amor de um está escondido ou a cabeça está confusa, resta apenas a mim que fiquei só, uma saudade que ninguém tem noção de como deter.
Saudade é basicamente não saber. Não saber se você vive com pressa, não saber se você no fim do dia chega com aquela carinha de cansaço, se você fica com a respiração ofegante quando faz um pouco de frio, se você tomou os remédios, se você está indo bem no trabalho, não saber se você ouve dez vezes uma música que gostou.
Saudade é não saber de jeito nenhum.
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos;
Não saber como encontrar tarefas que lhe parem o pensamento;
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está querendo a mim, e ao mesmo tempo querer.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer;
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...
É saudade é o que sinto de você. O tempo todinho. Todas as horas, minutos, segundos e dias que estou sem você.
Me amedronta a hipótese de não te ter mais nos meus braços.
Eu tenho chorado baixinho, as noites tem sido ruins, mas, quando eu te tiver de volta, vou te apertar contra o meu peito e não vou deixar nunca mais você sair de perto de mim.
E a saudade? Eu vou sentir sim, sempre. Porque eu te amo.
Escrito por Ana Rufina de Matos